Histórias de Miguel - Energia em pó

Essa tirada vem da minha avó, dona Aurora, não à toa esposa do meu avô Miguel (para quem já acompanha o blogue​, apelido dado por cachaceiros a meu avô Ednaldo, merceeiro).

Isso tem uns vinte anos.

Certa feita, Juarez, um sem-juízo magrinho e trabalhador muito querido por todos, passou perto da mercearia e ficou de papo fiado.

O coitado não tem muita instrução e minha avó resolveu pregar uma peça.

-- Juarez...
-- Diga, dona Aulola, respondeu o homem apalermado.
-- Quero que você me faça um favor: vá lá na loja de material de construção de Seu Vino, na praça, e peça um quilo de energia em pó. A minha acabou... disse minha avó séria.
-- Ah, não sei se vou alembrar. Minha cabeça é fraca para alembrar.
-- Lembra sim. Vá repetindo: um quilo de energia em pó. Um quilo de energia em pó...
-- Tá certo. Já já chego.

E lá foi Juarez comprar a energia em pó.

Chegando na venda de Seu Vino, ele falou:

-- Seu Vino, Dona Aulola mandou buscar um quilo de inergia em pó. Ela mandou deixar na conta e depois acerta.
-- Energia em pó? Seu Vino Arregalou os olhos e fez cara de desconfiado.

Seu Vino sacou a armação e disse que a energia em pó estava em falta. Mandou avisar que só em uma semana teria de novo o tal pó energético.

Juarez voltou de novo, debaixo de sol, para avisar a Vovó:

-- Ô dona Aulola, Seu Vino falou que não tinha essa tal alergia em pó.

Vovó corrigiu:

-- É energia, criatura!

Juarez falou, como sempre, quase nos gritos:

-- É esse negócio aí mesmo...

E vovó perguntou gargalhando:

-- E tu já viu energia em pó, ô homem?
-- Eu sei lá...

Juarez saiu rindo, dizendo que dona "Aulola" enrolou ele.

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