Histórias de Miguel
Bom merceeiro sempre tem um parêntese útil numa conversa ou, mesmo, um ótimo caso para contar.
Assim é com meu avô e também com meu pai. Ambos sabem, com maestria, contar uma piada carregada de ironias, técnica aprendida ao longo de décadas de comércio, onde os mais diversos tipos compartilham com prazer parte de sua própria história. O comércio, especialmente numa cidade pequena, tem esse quê de pessoalidade que nada poderia igualar, a não ser a casa em extinção da legítima barbearia.
Algo me chamou atenção quando eu já entrava na idade adulta: Meu avô tem um apelido muito particular, sabe-se lá porquê difundido entre todos os loucos e bêbados que passam pela bodega em Solânea - PB. Chama-se, entre esses cativos fregueses, de Miguel.
Miguel é o tal benfeitor ao qual os cachaceiros pedem uma dose de aguardente de graça, e a quem é instantaneamente negado, sem prejuízo ou mágoa para ambos os lados. Depois, o cambaleante sai, nos seus passinhos de caranguejo, procurando rumo na calçada do Centro, sem ressentimentos.
Miguel é o conhecido merceeiro que sempre tem um gracejo como resposta aos clientes conhecidos.
Miguel é, ainda, o tratante que se livra dos pilantras de sempre, que querem pirangar (ou seja, arrancar coisas de brinde) à força, quase todos os dias. Miguel é mão fechada e inflexível no preço para eles.
É, portanto, lembrando essa face de comerciante de meu avô que faremos uma série de postagens com lembranças que guardo da vivência na mercearia A Sortidinha.
Aguardem novas postagens.


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